Bruno Coelho e a ultra-vitória no Brasil
Regressado do Brasil, Bruno Coelho conta a experiência de cruzar a meta no Mons Ultra Trail e o papel da Tributus na conquista de um sonho – para ler na entrevista.Bruno Coelho regressou do Brasil após conquistar o 3º lugar nas 200 milhas do Mons Ultra Trail, a última e emocionante etapa do One Hundred World Championship Series 2025, uma das grandes competições mundiais de trail endurance e cuja a conquista do título simboliza o expoente máximo da exigência física e mental. À conversa com a nossa equipa, o atleta partilhou a sua experiência, revelando-nos o valor do apoio da família e da Tributus, e deixando uma mensagem para 2026.
O que representou para ti participar nas 200 milhas do Mons Ultra Trail?
Para mim, foi o maior dorsal* do meu percurso na ultradistância e um dos maiores desafios a nível pessoal. Participar nesta prova é mais do que correr 200 milhas enfrentando uma meteorologia e um terreno de condições muito específicas, é viver uma experiência total em que, durante mais de 48 horas, se fica sozinho entregues a nós próprios, num ambiente muito duro e sob a enorme pressão que é a grande final de uma competição mundial, como a One Hundred.
* Em contexto desportivo, a expressão “dorsal” significa prova ou desafio.
Como é que um atleta de ultra endurance se prepara para uma competição destas? O que foi determinante para ti?
Desejei participar no One Hundred logo quando foi criado, em 2020. Na altura, corri na Ultramaratona PT281Km e depois disso, noutras provas. Por isso, na verdade, todo o meu percurso na modalidade foi “a” preparação para o Mons Ultra Trail. Agora, o que fez a diferença para conquistar este dorsal foi planear bem o meu calendário em 2025, escolhendo os desafios que me dessem “bagagem” para ultrapassar as dificuldades e alcançar o objetivo – e pude fazer isto graças ao apoio que a Tributus me deu.
Num desafio desta natureza, extremamente duro, exigente e longo, deves ter pensado muitas vezes em desistir. Como consegues manter-te motivado e continuar?
Numa prova destas, a maior dificuldade é não se ter assistência e estar-se completamente sozinho a resolver os problemas que vão surgindo. Outra dificuldade inicial foi a de correr logo às 6h da manhã, o que significa correr debaixo de muito sol e bastante humidade – no entanto, como corri várias vezes na Madeira, consegui adaptar-me. Os momentos mais críticos foram quando deixei de conseguir comer, provavelmente, devido à água que bebi em algumas linhas de água; depois quando o sono começou a dominar-me e senti que estava a perder o controlo do plano; mais tarde, quando só conseguia pensar em comer e, claro, a dor física, nos pés e no corpo de tantas horas a correr.
A motivação para continuar é um misto de resiliência e vontade de superar um desafio, de experiência em lidar com as dificuldades e saber respeitar o corpo, e de se focar no percurso etapa a etapa, base de vida em base de vida*.* Ponto de apoio e/ou abastecimento.
O que significou completares a prova e cortares a meta?
O desporto é um dos pilares da minha vida, por isso esta conquista é o resultado do meu percurso na modalidade, do meu dia a dia, do esforço, da dedicação e da entrega, é a conquista de um sonho.
Pensar na família e em quem te apoia ajuda a superar esses momentos?
Claro que sim, tudo isto só acontece porque tenho ao meu lado pessoas fantásticas que acreditam em mim e me dão todo o apoio. Em primeiro lugar, a minha mulher e minha filha, a família. Depois, os amigos, como o Paulo [Ferreira] e João do One Hundred. E os sponsors, como a Tributus, que me acompanhou ao longo do ano.
Em que medida o apoio da Tributus fez e tem feito a diferença no teu percurso?
Ter o Paulo e a Tributus ao meu lado, ao longo do ano, foi determinante – como já disse, graças a este apoio, tive a possibilidade de escolher as provas em que queria participar e, assim, organizar-me e planear o meu ano de modo a consolidar a minha carreira no desporto e a preparar-me para este objetivo que foi a 200Milhas do Mons Ultra Trail 2025.
Para ti, o que é verdadeiramente o ultra trail, tu que és um atleta premiado internacionalmente e que já corres há anos?
Para mim, a ultradistância não apenas correr e conquistar títulos, não se trata de ego. Não, nada disso. A ultradistância é como na vida, tens altos e baixos, choras e ris, muitas vezes estás sozinho, há sempre dificuldades que te colocam à prova, mas também recebes palavras de incentivo e tens oportunidade de viajar e conhecer locais únicos – a ultradistância é para se viver de corpo e alma, é a minha vida.
Estamos na quadra natalícia e quase a terminar o ano. Gostarias de deixar alguma mensagem?
Antes de mais, obrigado do fundo do coração a todos os que me acompanham. Quero continuar a escrever este “livro” a cada quilómetro percorrido – por isso… Vamos felizes para 2026, juntos!
Em 2025, a Tributus e o atleta Bruno Coelho assinaram uma parceria, unindo-se para juntos ressignificar os valores do desporto na vida, na liderança e na economia.
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